Paróquia Senhora da hora
Notícias & Artigos
A secção de Notícias & Artigos reúne informações atualizadas sobre a vida da paróquia, bem como reflexões, textos formativos e conteúdos de interesse para a comunidade.
Liturgia e Homilias no XXVII Domingo Comum A 2026

Homilia no XXVII Domingo do Tempo Comum A 2026
1. Continuamos nos trabalhos desta vinha, que não é tua nem minha: é do Senhor. Uma vinha cuidada com ternura excessiva. Contudo, a abundância dos cuidados mimosos e amorosos contrasta dolorosamente com os frutos amargos: esperava justiça e só há gritos de horror! Esta imagem não é apenas uma denúncia dirigida ao povo de Israel, tão mimado quanto desgraçado. É uma palavra que nos alcança hoje, a nós, Povo de Deus, precisamente no início de um novo ano pastoral. O Senhor confiou-nos a sua vinha: o seu povo, a comunidade cristã, as famílias, as crianças, os jovens, os idosos, os pobres, os que procuram Deus e até aqueles que se afastaram d’Ele. Não somos donos da vinha, mas seus humildes servidores. À vista dos maus frutos – e uma vez que p Senhor nos escolheu do mundo, para que vamos e dêmos fruto – importa fazer um exercício de verificação pastoral: parar, reler o que aconteceu, reconhecer o que deu fruto, compreender o que não funcionou e procurar juntos as razões. Isto significa fazer verdade.
2. Seguindo indicações recentes do Papa Leão XIV (cf. Discurso, 18.09.2026), para esta verificação pastoral, foquemos a nossa atenção em quatro critérios evangélicos. Eles ajudar-nos-ão a reconhecer se a vinha está verdadeiramente a produzir os frutos que o Senhor espera.
Nota: pode(m) selecionar-se apenas um ou alguns dos quatro critérios. No Porto, privilegiar o 4.º
Primeiro: encontrar Cristo e fazê-lo encontrar. A Igreja não existe para si mesma, mas para conduzir cada pessoa ao encontro com o Senhor. Por isso, não basta perguntar se uma atividade está bem organizada, se é participada, se dura há muitos anos ou se reúne muitos likes nas redes sociais. A pergunta decisiva é outra: conduz realmente a Cristo e leva o Evangelho à vida concreta das pessoas? Se sim, avancemos. Se não, tenhamos a coragem de acabar. Reformar é devolver à forma de Cristo aquilo que, entretanto, se deformou!
Segundo: gerar comunidade. Tenhamos a coragem de cuidar do essencial e de abrir espaço a relações verdadeiras, onde as pessoas se sintam acolhidas, acompanhadas, valorizadas e corresponsáveis. Perguntemo-nos: esta atividade que fazemos gera comunidade? Envolve as pessoas, acolhe quem chega, acompanha quem caminha e congrega os distantes? Ou divide, dispersa e afasta quem nos bate à porta? Se gera comunidade, confirmemos e valorizemos o que nela formou Cristo e se conformou a Cristo. Caso contrário, reformemos, corrijamos ou – se for necessário – abandonemos tais práticas estéreis.
Terceiro: habitar e servir a terra onde vivemos. A freguesia, a área geográfica da Paróquia, não é o pano de fundo do nosso trabalho: é o lugar da nossa missão, o campo da vinha. Perguntemo-nos: valorizamos, na nossa freguesia, tudo o que é verdadeiro e nobre, justo e puro, amável e de boa reputação? Criamos pontes ou erguemos muros? A Paróquia abre-se à freguesia, torna-se relevante para a vila/cidade e presta serviço aos que nela habitam? Ou reduzimos a vinha da Paróquia a uma «quinta», explorada por «um grupo de eleitos, que olham para si mesmos» (EG 28)? Ora, o que não serve… não serve para nada e deve ser deitado fora. Fiquemos apenas com o que é bom.
Quarto: a formação do Povo de Deus. Esta dimensão atravessa todas as outras. Perguntemo-nos: as nossas atividades pastorais fazem crescer na fé ou limitam-se a preencher o calendário? Formam discípulos missionários ou apenas consumidores passivos? Ajudam cada batizado a descobrir os seus dons, a assumir responsabilidades e a servir, ou deixam quase tudo nas mãos de poucos? Geram uma fé adulta, capaz de iluminar as escolhas familiares, profissionais e sociais, ou mantêm os fiéis na ignorância de Cristo? Formamos para conformar a vida dos fiéis a Cristo e transformar o mundo, ou contentamo-nos com uma religiosidade sentimental, irracional e sem compromisso? O número crescente de adultos que pedem o Batismo e iniciam um percurso catecumenal é um sinal surpreendente. Exige uma Igreja em estado de iniciação: uma comunidade capaz de reconhecer, acolher e guardar a pequena semente que aspira a crescer dentro de cada pessoa, mesmo no meio das silvas. Não caiamos, porém, numa alegre ingenuidade. Comparando o número de alunos nas escolas públicas com o de catequizandos, desde o 1.º ao 9.º ano, verificamos que apenas uma pequena parte frequenta a Catequese: 25% na Senhora da Hora, 385 em 1527; e 14,4% em Guifões, 95 em 659.
3. Para que esta verificação pastoral seja completa, precisamos ainda de nos perguntar, no fim de tudo: por que alcançámos estes resultados e não outros? Por que razão algumas iniciativas abrem caminhos e outras ficam isoladas? Por que razão algumas pessoas participam e outras permanecem de fora? Esta análise não é uma auditoria de água fria, mas um exercício de verdade feito na presença de Deus. Deve envolver toda a comunidade e, sempre que possível, escutar também quem não a frequenta e vê a realidade a partir de fora. Deste discernimento podem nascer decisões exigentes: manter o que é bom, valorizar o que estava escondido, corrigir o que perdeu o rumo, abandonar o que já não serve a missão e iniciar o que o Espírito nos pede. É este precisamente o caminho proposto pelo Sínodo Diocesano do Porto: «formar, reformar e transformar». E esta verificação ganha ainda maior sentido e urgência no contexto da Visita Pastoral que se aproxima.
4. Irmãos e irmãs: celebramos neste domingo, os 800 anos da morte de São Francisco de Assis, a quem o Crucificado, disse, com dor: "Francisco, vai e repara a minha casa que, como vês, está a cair em ruínas". Estamos no início de um novo ano pastoral. Deus conta com cada um, no trabalho humilde da sua vinha, para que ela venha a produzir bons frutos. Esta é uma ordem de trabalho na vinha do Senhor: menos produto e mais fruto: a santidade de cada um, a comunhão entre todos, a paixão pela missão. Ámen.
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Liturgia e Homilias no XXVII Domingo Comum A 2026
Guião para o início da Catequese – Guifões - XXVII Domingo Comum A 2026
Página dos leitores no XXVII Domingo Comum A 2026
Página dos leitores no XXVII Domingo Comum A 2026 – SDL Porto
Oração de bênção da mesa - XXVII Domingo Comum A 2026 – modo Facebook
Oração de bênção da mesa - XXVII Domingo Comum A 2026 – modo site
Folha interparoquial | N.º 128 | 04.10.2026
Esquema da Reunião de pais com filhos na Catequese – Senhora da Hora
Powerpoint da Reunião de pais com filhos na Catequese – Senhora da Hora
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