No Tríduo Pascal a Igreja celebra

os máximos mistérios da redenção humana.

Se toda a vida do Senhor Jesus foi uma “Páscoa

– “saí do Pai e vim ao mundo;

de novo deixo o mundo e vou para o Pai” (Jo 16, 28)

– foi-o, porque, num momento

determinado da sua existência,

Jesus como que se concentrou e viveu uma páscoa

tornando-se “Páscoa”: “antes da festa da Páscoa.

Cumprindo a antiga festa, inaugurou a nova.

Ele é a “nossa Páscoa, imolada” (cf. 1 Cor 5, 7).

Nesta Semana Santa, este é o desafio:

Abre o teu olfato. Cheira a Páscoa”.

Não te feches no quarto, areja o teu coração,

para que não cheire a mofo.

Sai de casa, para a rua, para a Igreja.

Cheira a Páscoa.

Menos quarto. Mais jardim.

Sê, para Deus e para os outros,

o bom odor de Cristo,

o odor da vida que conduz à vida (2 Cor 2,14-16)!

"Abre-te. Da Quaresma à Páscoa um caminho com sentido, um caminho com sentidos. Irmãos e irmãs: com este desafio, temos vindo a percorrer o caminho da Quaresma à Páscoa, um caminho que fazemos juntos, unidos a Cristo, despertando e abrindo todos os nossos sentidos, para que se tornem recetivos, pela fé, à presença e à ação de Deus e, por sua vez, a comuniquem aos outros. Depois de termos aberto o coração no deserto, os ouvidos no Tabor, o paladar junto ao poço, a visão no caminho da luz e o tato diante do sepulcro, chegamos agora à hora da entrega total. Completamos a Chave dos sentidos com o último selo, que evidencia o sentido do olfato. Ele tem inscrito o apelo principal da Semana Santa: “Cheira a Páscoa: menos quarto, mais jardim”. Por isso, saímos de casa e estamos aqui reunidos, (em Guifões: ao ar livre), para darmos início, em união com toda a Igreja, à celebração anual do mistério pascal, da Paixão, morte e ressurreição do Senhor. Essa é a meta do caminho, que iniciámos na Quarta-Feira de Cinzas.  Foi para realizar este mistério que Jesus Cristo entrou na sua Cidade Santa de Jerusalém. Por isso, recordando com fé e devoção esta entrada triunfal de Jesus na Cidade Santa, acompanharemos o Senhor, de modo que, participando agora da sua Cruz, mereçamos um dia ter parte na sua Ressurreição. Voltemos agora o nosso olhar para a Cruz, que abre a procissão de entrada, aclamemos a Cristo, agitando os nossos ramos e entoando-Lhe cânticos de louvor. Deixemos exalar por toda a casa (em Guifões: por toda a parte) o perfume de Cristo.

Celebramos o 5.º Domingo da Quaresma. E o Evangelho de hoje fala-nos da Ressurreição de Lázaro. A Ressurreição de Lázaro é o último dos sete sinais de Jesus. É o sinal mais próximo, é anúncio e prenúncio da morte e ressurreição de Jesus. Diante de nós, permanece o apelo fundamental da nossa caminhada: “Abre-te. Da Quaresma à Páscoa, um caminho com sentido, um caminho com sentidos”. Depois de afinarmos os sentidos do ouvido, do paladar e da visão, somos desafiados, nesta 5.ª semana da Quaresma, a desenvolver o sentido do tato. Aprendamos a tocar, com ternura, a carne de Cristo, em cada pessoa, e sobretudo na pessoa dos mais frágeis, dos doentes, dos pobres, dos sós.

Celebramos o IV Domingo da Quaresma. Diante de nós, permanece o apelo fundamental da nossa caminhada: “Abre-te. Da Quaresma à Páscoa, um caminho com sentido, um caminho com sentidos”. Depois de afinarmos o sentido do ouvido e do paladar, somos desafiados, neste 4.ª semana da Quaresma, a abrir os olhos, a aclarar e ampliar o sentido da visão, para aprendermos a ver Jesus e a ver com os olhos de Jesus. O encontro de Jesus com o cego de nascença quer abrir os nossos olhos.

Celebramos o III Domingo da Quaresma. Diante de nós, permanece o apelo fundamental: “Abre-te. Da Quaresma à Páscoa, um caminho com sentido, um caminho com sentidos”. Depois de afinarmos o sentido do ouvido, ao longo da passada, a partir de hoje, nesta terceira semana, somos desafiados, a apurar o sentido do gosto, do paladar, para aprendermos a saborear. Aprendermos a saborear não apenas o que comemos e bebemos. Mas a saborear sobretudo o que pode saciar a nossa fome e nossa sede de Deus, a nossa fome e a nossa sede de um sentido para a vida. O encontro de Jesus com a Samaritana quer despertar em nós essa fome e essa sede de Deus.

No alto do Monte Santo do Tabor, Jesus oferece aos seus mais íntimos amigos, uma visão antecipada da sua Páscoa gloriosa. Essa é a meta, esse é o sentido último do nosso caminho quaresmal. Mas a voz de Deus Pai, no contexto desta visão, convida-nos sobretudo a escutar o Seu Filho: «Escutai-O». Entre os cinco sentidos, parece que Deus privilegie precisamente o ouvido, talvez por ser menos invasivo e mais discreto do que a vista” (Papa Francisco, Mensagem DMCS 2022). Na Bíblia, o sentido da audição é mais valorizado que o da visão. Por isso o mandamento que precede todos os mandamentos é o da escuta: «Escuta, Israel» (Dt 6,4). Valorizemos, nesta celebração, o sentido da audição, o ouvido, o silêncio, para que a nossa fé brote da escuta (Rm 10, 17) e seja resposta à Palavra de Deus, que se faz ouvir na Palavra de Seu Filho muito amado.

“Abre-te. Da Quaresma à Páscoa, um caminho com sentido/um caminho com sentidos”.Este é o lema pastoral, que marca o nosso caminho de regresso do coração a Deus, pelo acesso livre de Deus ao nosso coração. E fazemo-lo por meio de todos os nossos sentidos. Os cinco sentidos, abertos e transfigurados por Cristo, tornam-se portas abertas, para acolher a vida nova da Páscoa do Senhor. Abrir os sentidos é abrir, a partir deles, fendas, portas e janelas, no coração! O jejum, que acompanha a experiência de Jesus, no deserto, abre uma brecha, em nós, para escutarmos a Palavra, saborearmos o Pão eucarístico, contemplarmos o Senhor e deixarmo-nos tocar pelo Seu amor.

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